José Rodrigo Rodriguez

Fora de controle

In Poemas para mim mesmo on 28/05/2012 at 1:24

Algumas doses de grappa ou campari
com gelo e com as mãos na boca
comendo as unhas e vendo e ouvindo
tudo o que se passa nos filmes e nas
reprises de jornais e sites abertos
para sempre, condenados para sempre a
perseguir as mulheres nuas esfregando
seu corpos em outros corpos todo
domingo tão fora de controle,
fora de controle, fora de controle.

Porque alguém morreu, mas isso não
deveria assombrar mais ninguém
como falar no rádio com as tropas
avançando no deserto e matando
os inocentes, os mortos de sangue de
plástico da televisão ligada até as
tantas e depois disso nos arquivos
secretos eternos da rede assombrada,
mas que não deveria mais assustar ninguém,
nem quando se desliga o fogo do frango
desossado que fica bem em cima da mesa,
a sua carcaça nua e o apetite sem parada,
sem alcançar o interruptor, imagem insaciável
tão fora de controle, fora de controle,
fora de controle.

A parte mais fraca
nem sempre é a parte que cede.

Com toda a alegria de quando ainda
se pode viver sem a diabetes ou
a hipertensão ou o câncer se
reproduzindo tão fora de
controle, a imaginação ou
a palavra de quem ainda
quer dormir.

Mas quando eu me deitar,
quem vai ficar aqui?

Quem fala e quem se calou?
Quem ainda não está
e quem ainda vem?
Quem sabe dizer
o que se passa?

Quem?

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