José Rodrigo Rodriguez

O filho pródigo

In Poemas para mim mesmo on 07/08/2011 at 0:26

Fazer passar os dias
uma tarefa, uma decisão,
um descuido, uma sentença.

Levantado do chão
a cada passo engendrado
neste dia inaugural
do nascimento de um filho
cuja memória escassa,
emoção de natimorto:

Oração que se repete
sem obter resposta,
pois é preciso ter fé
e nunca tratar a Deus
como se ele fosse um banco
com créditos guardados um a
um, centavo por centavo, nota
por nota, segundo por segundo.

Nenhuma precisão,
os passos mudam de direção
assim, assim,
as palmas desencontram dos dedos
e furam os olhos do rosto que acariciam,
fazem sangrar a boca da mulher amada
e o ânus rasgado do homem que se adora
durante sete dias.

Fazer passar estes dias,
tão rápido quanto
possível, inventar uma história
para juntar os cacos,
os restos de gordura e os
ossos trincados nos dentes
das hemorróidas quentes
em problemas de ereção
e corrimento na vagina.

É preciso inventar uma história,
mas eu,
poeta e covarde que sou,
para isso não sirvo para nada,
para certas coisas eu só posso
atrapalhar, esta idéia frouxa
que não me satisfaz,
nestes campos abertos
deste meu martírio
feito de papel e tinta
e bits:

Oração que não queima,
não eleva e não seduz,
uma idéia fixa:
acordar
para um dia a mais
tantos graus acima
dessa temperatura
uma vida passada
e o que dela se contém:

O meu filho pródigo
nem jamais nascido.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: