José Rodrigo Rodriguez

O estado das coisas

In Poemas para mim mesmo on 01/08/2011 at 2:21

Perder um pai, perder um filho,
perder um emprego antes da hora
deixar para ligar quando já é tarde
demais e desfazer o desfecho,
antecipar o que provavelmente
ocorreria mesmo assim, mas
principalmente
desfazer o pensamento
que permite que a pedra levante do chão
visionário
ou falando línguas.

Obrigar alguém a se conformar,
obrigar alguém a pensar,
escrever um verso
que não cabe na agenda,
dizer uma linha áspera
em tempo de espera.

Deixar rolar,
deixar fluir,
ir tapando buracos
para o barco andar mais tranqüilo
ou simplesmente viver
uma canção inevitável
na forma de clichê:
esse é o meu assunto.

Perder a palavra para depois achar
andando na rua, comprando fósforos,
tomando uma cerveja sem pensar,
falando alemão com os amigos
de Hamburgo, jogado na vala comum,
Guilherme Arantes, os grandes sucessos,
os “Fragmentos Kafka” de Kúrtag,
“I wanna be your dog”, “If I should
fall in grace with God”, “This is
the road to nowhere”, a minha língua
viva ou morta.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: