José Rodrigo Rodriguez

Geometria sentimental (para Geraldo de Barros)

In Poemas para mim mesmo on 01/08/2011 at 17:06

Não era apenas um cão ou uma árvore na beira do caminho
mãos grossas esculpindo arbustos em pinceladas densas,
nem era apenas uma linha reta que não se entregara a ninguém
mantendo sua cor, a sua espessura e a tensão
por toda extensão do dia, o meu sustento
é como se fosse riscado por esta máquina de pintar,
é como se fosse feito por este deserto geométrico
e o que ele contém
por fora e também por dentro,
pois a depender de onde se olha
o que queima é o ar no pulmão
ou a madeira seca
o que queima é a pupila ou a folha
que a tinta fecunda e incendeia.

A linha não olha para ninguém.
ela também não gosta muito de conversar,
ela não é dócil e obediente como um cão
ou previsível e constante como uma árvore
ao longo das estações, ela também não é verde
como a esperança, que invade a sala e as pupilas:
uma linha vive de seu andar, mas nunca à toa,
mas uma linha tem antenas
e ela sente.

A linha separa os planos que se roçam
a linha aparta os espaços que se penetram
a linha divide as metades que ameaçam
o que ela é;
e o que ela pode ser
fica para depois deste entreato,
reflexão prévia que se pratica
logo depois que a linha faz nascer
tanto fora quanto dentro.

Bicho, cara, mano, jão,
a linha é toda uma filosofia.

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