José Rodrigo Rodriguez

O lago

In Poemas para mim mesmo on 23/05/2011 at 0:46

Das coisas que se diz
o essencial escapa aos olhos,
mas às vezes ver é o que nos resta
palavra escrita
ou grito parado no ar,
a lama seca das retinas fatigadas,
bile invertida
que refrata
no leito desta cidade
lenta.

Lento rio estacionado
com água de chumbo e
de chuva.

Já se gritou poesia na rua
para os veículos de lata,
já se rasgou colunas de concreto
com o ferro da saliva
(rio sem discurso)
no fundo,
como a espinha de seu curso,
costela veia retesa,
esta armadura em carne turva,
como palavra cega e muda,
esta palavra que mareia
(rio sem discurso)
é maré cheia.

Rio sem saída
inverso em fluxo
é como se fosse
paisagem
ou plantação de coníferas
para formar um
milimétrico bosque,
pois o rio que se vê agora
é mesmo o rio de que se fala
é o mesmo rio com que se sonha.

Porque a palavra
às vezes cansa,
flutuando no espelho
dos lagos,
entre os cisnes
e os patos,
porque às vezes,
é sempre assim
que a palavra
vive.

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