José Rodrigo Rodriguez

Archive for abril \29\UTC 2011|Monthly archive page

Democratas

In Poemas para mim mesmo on 29/04/2011 at 20:00

Poema extraído do ponto 4 do Ideário do Partido DEMOCRATAS.

Liberto, solto, leve, o espaço ampliado por
dentro, sempre grandes planos, sempre
grandes projetos, sempre passos largos de
vorando os caminhos, de todos os modos,
em todos os sentidos, espalhando-se para
cima, para baixo e para os lados,
liberto, solto, leve, lábil,
mas não livre.

Já não há mais obstáculos, sobretudo as imensas
energias criadoras circulando pelo centro, as imensas
forças da revolução em marcha, engendrando os estados
do político, do social, do econômico, da participação for
mal e informal, as forças comunitárias e o peso da buro
cracia: já não há mais obstáculos, a manifestação mais
profunda de toda a diversidade humana fluindo sem limites,
passando veloz pelas paisagens transfiguradas, atravessan
do portas, cercas e paredes, comendo alumínio como se
fosse manteiga,
mas não livre.

A liberdade é bem menos,
presa sem caça.
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“Impõe‐se, sobretudo, libertar as imensas energias criadoras do homem brasileiro, repetidas vezes sufocadas pelo centralismo e pela estatização. A grande revolução a realizar‐se neste País é a da liberdade da iniciativa em todos os planos ‐ no político, no social e no econômico. É preciso estimular, por todos os modos, a participação comunitária, abrindo‐se oportunidade à fecunda manifestação de nossas diversidades.”
(www.dem.org.br/wp-content/uploads/2011/01/Ideario-do-Democratas.pdf)

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Tão seca

In Poemas para mim mesmo on 28/04/2011 at 0:46

Poema extraído de um pacote de Farofa Pronta Yoki.

Ninguém está presente e
a carne nem esfria no prato,
com as bocas sempre cheias,
sem rir, sem falar,
a ração de dia-a-dia
desta família
ao molho pardo.

Ração de dia-a-dia
de caldo de peixe
de caldo de carne
de caldo de legumes,
às vezes sem ossos.

Ração de dia-a-dia,
este feijão com gengiva
nua, amassando, quase
queimando o que me
espera nesta hora ao
redor daquela mesa
indispensável.

Sem rir, sem falar,
um pé, o outro,
uma mão, a outra
presença indispen
sável dos amigos
quase mortos, das
mães quase tesas,
dos filhos quase gor
dos de lombo com
farofa, que eu cuspo
quando falo, que eu
engulo sem medo
com a água das
retinas indecifrá
veis.
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“A farofa pronta Yoki é presença indispensável no churrasco
com os amigos, na feijoada, nas comemorações especiais e
nos pratos do dia-a-dia. Experimente essas dicas com caldos
Kitano!”

Abandono

In Poemas para mim mesmo on 27/04/2011 at 20:20

Poema extraído do Art. 247 do Código Penal Brasileiro.

Não permita este seu filho sem poder,
sujeito confiado à vigilância ou à
guarda de homens na mais tenra idade,
que eu freqüente o morto que resolveu
levantar e conversar com os passantes;
que eu freqüente a natureza que ele
mesmo perverteu com sua repetição
covarde do espetáculo da ressureição.

E não permita que ele resida ou trabalhe ou
mendigue ou se sirva da manteiga dourada de
seus dias, para excitar, como ensinou o morto,
o sentimento de comiseração pública. Este seu
filho, que recolhe agora os seus trapos e que só
te resta acolher, não tem a nossa mesma natureza,
não partilha mais dessa nossa mesma carne, pois
ele sabe que só pode viver agora para cumprir a
exclusiva sentença
de má vida.

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Art. 247 – Permitir alguém que menor de 18 (dezoito) anos, sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância:
I – freqüente casa de jogo ou mal-afamada, ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida;
II – freqüente espetáculo capaz de pervertê-lo ou de ofender-lhe o pudor, ou participe de representação de igual natureza;
III – resida ou trabalhe em casa de prostituição;
IV – mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública

Meteoro

In Poemas para mim mesmo on 27/04/2011 at 18:03

Poema extraído de “Meteoro” de Sorocaba (na interpretação de Luan Santana)

Mar nem sol nem ar
sem tempo ou coração.
Uma espera lenta um
meteoro que estaca
neste sentido do tempo
ou mais incrível sempre
que eu souber ou: lembro.

Conhecer ou ser feliz:
você exatamente como eu
sempre: quis no porto em
que vi atracar: o tempo na
imagem repetitiva que eu
sempre: lembro.

O sonho de perder
em tempo de voar:
nem mar nem sol
nem ar me: alcança.

Tão rente que reluz:
por dentro e andando
a face aberta: rente,
bem sempre, sempre foi:
por dentro, sem sonho,
sem demais ou: mesmo.

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Meteoro (de Sorocaba)

Te dei o sol, te dei o mar
Pra ganhar seu coração.
Você é raio de saudade,
Meteoro da paixão,
Explosão de sentimentos
Que eu não pude acreditar.
Ah! Como é bom poder te amar!

Depois que eu te conheci fui mais feliz.
Você é exatamente o que eu sempre quis.
Ela se encaixa perfeitamente em mim.
O nosso quebra-cabeça teve fim.

(refrão)

Se for sonho não me acorde;
Eu preciso flutuar,
Pois só quem sonha
Consegue alcançar.

(refrão)

Tão veloz quanto a luz
Pelo universo eu viajei.
Vem! Me guia, me conduz,
Que pra sempre te amarei.

(refrão)

Um outro silêncio

In Poemas para mim mesmo on 07/04/2011 at 13:42

No tempo certo é que se faz a colheita,
mas natureza desnaturada,
cospe sementes de alumínio e
faz chover dentro da casa
que se esfarela

ao soar do mesmo sino neste
sono de sempre, mas que hoje
já precisa atravessar
paredes grossas e
comportas de metal
maciço neste segundo
de um outro silêncio

feito da carne da cidade
quando a serra elétrica se
desprende da tomada e a
britadeira pára para soluçar
seus cúmplices na soldagem e
reparação das engrenagens e
chips avançados de elevadores
inteligentes

tudo parte de uma conspiração
universal para furtar o sangue
das margaridas e transfundir o
plástico nas veias cegas e
resistentes e tão ferozes,
ameaçando matar os guardas
que as vigiam dia e noite,
armados até os dentes

neste minuto de
intervalos truncados,
trancado entre as
paredes de um outro
silêncio.