José Rodrigo Rodriguez

Chama negra

In Poemas para mim mesmo on 22/03/2011 at 12:23

Ainda entre os vivos
eu cozinho pepinos
para uma sopa
matinal e lenta.

E a receita rabiscada
em preto
no papel de caderno
amarelo
esclarece apenas não haver
nem máculas
nem manchas
na toalha e no vestido.

Molho de carne para dar sabor
mostarda, páprica e menta:
não precisa de mais sal,
fígado e coentro,
fogo baixo até engrossar,
sopro de vida.

Ainda entre os vivos
eu alimento homens histéricos
e mulheres longas reflexivas
com uvas e tomates e morangos,
com cebolas e folhas e nabos,
com raízes, com sangue
e carne crua.

Todo fogo é tardio
quando a fome é quem reparte
a parte clara da parte escura,
chama negra queimando
inverso
de apetite insaciável vagando
pelo quarto, na sala e
na cozinha.

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