José Rodrigo Rodriguez

Archive for março \23\UTC 2011|Monthly archive page

Judith Butler

In Poemas para mim mesmo on 23/03/2011 at 13:02

PauloR.machoparacaralhosótransamulhermasachaalgunshomensbonitosequandoestábêb
adosentevontadebeijarumdelesMariaG.mulherdominadoraeagressivatransameninosemen
inasmasgostadeserpassivanosexoeprecisademuitocarinhotootempotodoapontodeirritarse
usparceiroseparceirasRobertaS.transsexdelicadaesensívelcasoucomonamoradodemuitos
anosmasestáapaixonadaporumameninade24extremamentefemininaequertransarcomosdo
isparaveroqueaconteceRobertoP.bichalouquíssimagostadetransarcomhomensrudescoma
spectodetrabalhadorbraçalmasasvezesficacomumaamigaquegostademeninosemeninasma
ssentefaltadeserpenetradaporumpênisJoséRodrigoRodriguezmacholouquíssimosensívelj
udithbutlerianoacreditaquehojeoqueerasegredoagoraépúblicoenãohánadadeassimtãonov
osoboSoldosexodogênero,aspessoasjásecomportavamdessemodoantes,masnãodispunha
mdecategoriasparanomearemasimesmas,porissoeramvistascomomonstros,eesseéoladobo
mdapolitizaçãocrescentedoproblema,JoséRodrigoRodriguezachatambémqueestamosassi
stindoaodesenvolvimentodeumvoyerismodisseminadoqueestásetornandosocialmenteaceito
porisssotodomundoagora,especialmentequandosefalanaclasseuniversitáriaintelectualizada,
achaquetemodireitodesabercomquemagentetransaecomoeondeeporque
paravaliarsesomosconservadoresouprogressistas,exatamenteporisso
JoséRodrigoRodriguezésóvendoparacrer,sóconchecendoparasaber,
porquevocêsnãoachamqueeuiriacontaressascoisassobremimmesmo
aquiempúblicoparatodomundosaberecomentarnãoémesmo?nãome
importodeservistocomoconservador,achoquealgumas
coisasdevemficarnaesferaprivadaprotegidasdequalquer
demandapública,algumascoisassãominhaseeusó
dividocomaspessoasqueeuescolher:macholou
quíssimo.

Chama negra

In Poemas para mim mesmo on 22/03/2011 at 12:23

Ainda entre os vivos
eu cozinho pepinos
para uma sopa
matinal e lenta.

E a receita rabiscada
em preto
no papel de caderno
amarelo
esclarece apenas não haver
nem máculas
nem manchas
na toalha e no vestido.

Molho de carne para dar sabor
mostarda, páprica e menta:
não precisa de mais sal,
fígado e coentro,
fogo baixo até engrossar,
sopro de vida.

Ainda entre os vivos
eu alimento homens histéricos
e mulheres longas reflexivas
com uvas e tomates e morangos,
com cebolas e folhas e nabos,
com raízes, com sangue
e carne crua.

Todo fogo é tardio
quando a fome é quem reparte
a parte clara da parte escura,
chama negra queimando
inverso
de apetite insaciável vagando
pelo quarto, na sala e
na cozinha.

O filósofo

In Poemas para mim mesmo on 02/03/2011 at 20:09

Minha cidade me obriga a pensar
em todas as questões
em todos os problemas.

Mas ainda assim
alguma coisa me escapa…

Tanta culpa,
tanta culpa…

O homem invísivel

In Poemas para mim mesmo on 02/03/2011 at 19:50

As faxineiras existem?
E os executivos
de helicóptero?
O garçom
também o Chef?
O balconista da farmácia
da loja de roupas do setor
de trocas da livraria?
E o Presidente de
todas as Repúblicas?
Quem é menos visível?
Quem se chama pelo nome?
Quem sabe ao menos falar?
Quem ainda é ser humano?
Quem sabe o que é
perder um minuto
para ganhar cem milhares de trilhares
de reais em títulos do governo britânico?
E os porteiros?
Eles realmente
existem?

Morrer em São Paulo

In Poemas para mim mesmo on 02/03/2011 at 19:25

Um telefonema atrás do outro
e um prédio
e uma tarefa
e um caco de conversa
rasgando a face nua
e um tímpano
e um ônibus
e uma pessoa
e uma refeição atrás da outra
e uma hora –
novelo de aço escurecido –
tudo pára.

A namorada

In Poemas para mim mesmo on 02/03/2011 at 15:39

Branca nos Jardins
e
negra em Campo Limpo

ela mesmo
hesita:

“Mas branca apenas para me agradar”.

Veja quanta gente
bonita
veja quem veio e não
ficou
veja com seus próprios
olhos:

“O que eu sou”.

Eclipse oculto

In Poemas para mim mesmo on 01/03/2011 at 17:25

A um passo da morte ou
a um segundo:
muitos já sabem!

Ah, se a inveja matasse…
Hummm … que delícia!

Câncer oculto,
chamo seu nome
antes de tudo:
coma essa carne
limpe as idéias
suje meu sangue
faça-me mudo.

Os dias não são iguais

In Poemas para mim mesmo on 01/03/2011 at 1:52

Os dias não são iguais,
se igualam
a golpes de faca.
E o que se corta
resiste e grita
sem ter mãos para
conter,
sem ter pernas para
correr,
sem gozar da mesma
graça
negada seguidamente,
como se recolhe
uma frase
inventada pela raiva
bem no fundo da
garganta:
em cada nota aspirada
uma corda
que se arranca.

Os dias não são banais
se banalizam.
Às vezes quem se procura
não está
tão pura e simplesmente
e algo que se quer
já não há
sempre, repetidamente,
as horas ficando
menos,
os segundos mais
vazios,
os meses de fome
e frio,
passado vivendo
tudo,
tempo só
retrovisores,
passado de tantas
portas,
corpo mente
riso raso.

Os dias não são iguais,
eles se gastam,
os dias não são banais,
eles se turvam,
os dias não são inertes,
eles se matam,
a golpes de faca e tempo,
ao som de berros
sussuros,
já sem pernas para
correr,
já sem tempo para
pensar,
sem julgamento e
sentença,
os dias que viverá
apesar de sua
força.