José Rodrigo Rodriguez

Lição didática sobre os mistérios da escuta amorosa

In Poemas para mim mesmo on 08/02/2011 at 20:21

Ao ouvir: “Eu sou a pior pessoa do mundo” ou
qualquer coisa semelhante, nunca pergunte onde
está o ranking para que você possa conferir, também
evite demonstrar a impossibilidade de se realizar
qualquer pesquisa rigorosa nesse sentido e sempre
que estiverem envolvidas percepções subjetivas
complexas e impassíveis de formalização, nunca
procure analisar as razões pelas quais tal disparate
está sendo dito, “justo alguém que é tão inteligente,
tão capaz, tão bonito, tão rico e tudo de bom quanto
você”: o que se diz é sempre quase real e a questão está
justamente aí, em ter a permissão para ser fraco. Nunca
duvide do sentido literal das palavras, ouvir a quem se ama
é saber que um cachimbo será sempre um cachimbo: a reflexão
é glacial e sempre chega depois. Como a coruja, assiste a tudo
de fora e espera para devorar a carniça. Nunca tente aliviar a dor
com mais palavras, palavras, palavras: apenas ouça e ouça e ouça
e ouça e só diga alguma coisa se eu estiver encostado em sua carne,
bebendo do seu sangue e do seu cheiro, as suas mãos macias deslizando
sobre mim, pois na verdade, tudo é muito, muito simples:
trate-me como se eu fosse um cachorro.

“Mas você não é um cachorro!”

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  1. Vem cá, totó!

  2. “Eu não cachorro não…”

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