José Rodrigo Rodriguez

Tio Boonmee

In Poemas para mim mesmo on 30/01/2011 at 0:43

O que eu pergunto para o vento
pergunto por pura ignorância
pois quando o vento me sopra
os meus cabelos se agitam
também o sangue por dentro.

Um entra e sai dentro de mim
no vento que sempre me leva
a marca funda entre os lábios
por onde a alma penetra
por onde saem as palavras
que alimentam os mortos.

Nas árvores e nas casas
motores elétricos de
inquietas ventoinhas,
os chips fervendo nos
computadores e
sobre o tecido da
pele impermeável e
sobre o tecido do
cérebro por de trás
dos seus olhos azuis
que observam a tudo e
a todos e já não esperam
ninguém.

O que aconteceria com a minha vida
se eu resolvesse contar os anos
de um ponto partido de cada rajada
da face virada a cada brisa?

O tempo dos calendários
sopraria assim do mesmo jeito?

Agora o vento terá um nome
a ele se chamará
de Pedro.

Para Apichatpong Weerasethakul

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: