José Rodrigo Rodriguez

Eu não te amo ainda

In Poemas para mim mesmo on 31/12/2010 at 20:15

Eu não me lembro exatamente quando foi
que o pensamento da morte se instalou
definitivamente em mim, não sua idéia
abstrata ou seu conceito gravitando entre
verdade e infinito, a morte em sua versão
física, palpável como minhas mãos e meus
pés, meu rosto e cotovelos, a sensação da
morte em modelo standard para consumo
de massa.

Ao mesmo tempo – Ou terá sido antes? Um
pouco depois? – A percepção física de um
mundo finito, a sensação de que não há
milagres guardados em futuros utópicos a
redenção da carne em um passe de mágica
pelo tempo que nos resta, sem o trabalho de
levantar os pés do chão e construir castelos
nas nuvens, saber-se carne e mortal como é
de senso comum.

E hoje eu olho para as pessoas e me pergunto
para qual delas a ficha já caiu, eu me pergunto
quem já entendeu o que se passa depois de oito
gramas de cocaína ou alguns litros de vodka
após apagarem as luzes e desligarem da tomada a
aparelhagem de som, quando cessarem os fogos
e acenderam as velas, quando acabarem de limpar
os ladrilhos: o que resta no fim, eu me pergunto se
você
já entendeu.

Fique na festa,
ainda não,
mas um dia,
quero deixar
desde já
um encontro
marcado.

Eu não te amo
ainda.

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