José Rodrigo Rodriguez

O novo cinema brasileiro (fragmento)

In Aforismas e fragmentos on 27/12/2010 at 3:30

Saída da seção de cinema, “Socialisme” de Jean-Luc Goddard, São Paulo, elite cultural paulistana: “Deveria ser proibido fazer filmes assim”, disse o rapaz de 20 e não tão poucos anos, com a concordância geral dos presentes. Quando foi que a arte perdeu sua legitimidade perante essas pessoas? Deve-se evitar desafiar o público, diz o manual do novo cinema brasileiro, porque isso irá afastá-lo dos filmes. Perde-se mercado ao expor as pessoas a formas que não se entregam à primeira vista. Sofisticação, mas “cun grano salis”. Ítalo Calvino, não Ítalo Svevo.

É importante respeitar a insegurança do público e evitar fazer com que ele se sinta ignorante. Mesmo um público bem informado, que deseja sair do cinema com a sensação de ter se divertido com alguma coisa a que se possa chamar de “cultura”. Destruir a arte mais radical favorece a este objetivo. Com ela, destrói-se a memória social de que seria necessário subir mais alto, esforçar-se mais, desafiar as próprias percepções, ir além do senso comum. Quando Martin Scorcese é tratado como um grande artista, pode-se ter a certeza de que alguma coisa se perdeu. Scorcese, ele mesmo, seria o primeiro a reconhecer isto. Goddard nunca foi tão necessário. E tão inútil.

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