José Rodrigo Rodriguez

O presente da poesia (fragmento)

In Aforismas e fragmentos on 26/11/2010 at 2:26

Apenas a obra de arte individual importa. Depois de Finegans Wake toda sujeição é voluntária. A coerção das formas perdeu sua base social mais sólida e migrou para o aparelho psíquico de cada artista. Adorno foi o primeiro a conceber uma estética feita de obras individuais que não avança em seus assuntos e trabalha com a idéia de saturação. Cada um de seus argumentos se volta contra si mesmo, cada uma de suas linhas se abre e se fecha diante do vazio. Adorno foi capaz de mimetizar o gesto da criação e esta é sua maior contribuição à crítica.

Ser artista é ser capaz de encenar este problema na forma da obra que será sempre dissonante. Ser artista é ser capaz de renegociar sem descanso a percepção do expectador a cada dia, a cada obra, a cada momento. Inventá-lo a cada momento. Pois a cada momento tudo está em jogo, tudo está em questão, tudo pode ser posto a perder. Por isso assistimos à proliferação das formas fáceis, das artes decorativas, da poesia estilizada, da erudição vazia. Nunca foi tão difícil, tão violento, tão solitário e tão desprezível ser um artista. E nunca foi tão preciso. Jean-Luc Goddard sabe disso. Socialisme é o modelo para toda poesia presente. O futuro da poesia não existe.

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