José Rodrigo Rodriguez

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Moto perpétuo

In Poemas para mim mesmo on 31/10/2010 at 15:40

A nuvem não tem esboço
o dia não tem ensaio
penteio meu filho morto
antes de ir ao trabalho.

A nuvem não tem esboço
com algodão nas narinas
conserto do anjo torto
prozac, pão e aspirinas.

Penteio meu filho morto
o dia não tem ensaio
prefiro enterrar seu corpo
antes de ir ao trabalho.

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O morto

In Poemas para mim mesmo on 31/10/2010 at 3:48

Seis horas, Dois Irmãos
a mulher da minha vida
brisa ressabiada,
um anel para o poente.

É pouco
viver mais tantos anos
é pouco
comprar água e sabonetes
é pouco
saber o que se passou
é pouco.

Sete horas, Dois Irmãos
o Rio acolhe qualquer sonho
quatro mulheres passadas
terão agora o seu morto.

É pouco
quebrarei todos os lemes
é pouco
lábios queimam em silêncio
é pouco
cinzas revoam em bando
é pouco.

Canção de Acasos

In Poemas para mim mesmo on 30/10/2010 at 15:32

Ritmo de coral
brilho de nuvem
chego a São Paulo por todos os lados
todos os trincos estão fechados
ritmo de coral
brilho de nuvem.

Chego a São Paulo a pé e ao cabo
ritmo de coral
chuva de estrelas
ninguém me espera contando adros
ritmo de coral
chuva de estrelas.

Vejo os meus mortos acelerados
ritmo de coral
couro de dardos
lápide pedra se derrete ao largo
ritmo de coral
couro de dardos.

Chego a São Paulo a pé e acabo
ritmo de coral
pata de gato
por entre os muros desencapados
ritmo de coral
pata de gato.
olhos baixios somando acasos
couro de nuvem
chuva de dardos.

Sopro de inteligência: Coletivo de Militantes “Brasil & Desenvolvimento”

In Aforismas e fragmentos on 23/10/2010 at 14:05

Um monte de gente inteligente se juntou para fazer um vídeo contra Serra (não necessariamente a favor de Dilma, a quem eles criticam muito) com muito bom humor, mercadoria em falta nesta campanha. Adorei o coletivo de militantes Brasil & Desenvolvimento.

Vejam abaixo o vídeo e o manifesto deles, o qual eu assino embaixo . Essa foi a melhor coisa que aconteceu nesta campanha.

Brasil & Desenvolvimento: Compromisso, Atitude e Futuro

Há pelo menos duas atitudes que um povo comprometido com o seu futuro deve ter. A primeira é buscar idéias fortes, que apontem o melhor rumo para o desenvolvimento do país.

A segunda é lutar por inovações institucionais, que consigam traduzir essas idéias em realizações concretas.

No Brasil, as duas atitudes nos faltam: acreditamos cada vez menos em grandes idéias; e buscamos, cada vez menos, mudanças institucionais. O principal objetivo de nosso grupo é contribuir para transformação dessa realidade e, com isso, permitir que se construa no País um novo modelo de desenvolvimento nacional.

Idéias: Da importação à autonomia

Na academia, deixou-se de construir nossas próprias perspectivas, para admirar e avaliar os modelos importados. Acostumamo-nos com os argumentos de autoridade e com as teses chiques, pretensamente universais.  Deixamos, com isso, de problematizar sobre nossa própria realidade e de buscar soluções, a partir do nosso contexto e dos nossos problemas.

Na política, o Brasil deixou, há muito, de apostar na autenticidade, para acomodar as diferenças.  O país vive, com isso, a síndrome do meio-termo, segundo a qual mais valem a busca do mínimo denominador comum e a satisfação conciliatória dos interesses de grupos corporativos, do que a construção de uma identidade própria – algo que todo cidadão devia querer e todo povo, desejar.

Acreditamos na necessidade de superar essa crise.

Para isso, assumimos duas premissas.

Primeiro, é importante banir a idolatria a idéias sem apego com a nossa realidade. Devemos quebrar, com argumentos sólidos e cortantes, os ídolos que ainda dominam o debate sobre os problemas do Brasil e sobre o nosso futuro. Essa é uma questão fundamental para a formação cívica de um planejamento institucional intimamente vinculado com a idéia de uma soberania nacional a serviço da realização de direitos e da imaginação de alternativas político-econômicas.

Segundo, devemos superar o falso contraste entre aqueles que pensam e aqueles que agem, como se fosse possível e desejável separar, na teoria e na prática, a atitude reflexiva da prática transformadora.  É justamente da interseção entre esses dois campos que historicamente se produziram as melhores teses e as maiores transformações na vida de um país.

Instituições: inovar para revolucionar

O compromisso com o desenvolvimento depende, mas não se limita, a mudanças de atitudes. É preciso que essa nova postura influencie o conjunto de valores, regras e princípios que definem nossa vida social. Isto é: transformar nossas instituições. São elas que dão forma à nossa experiência da democracia e da economia. São elas que expressam o que somos, como vivemos e que, portanto, merecem ser aplaudidas ou condenadas.

Ao longo dos anos, a complacência institucional se tornou mandamento quase religioso em nosso País. Mudaram-se constituições, regimes, governos, mas mantiveram-se praticamente intocadas as nossas instituições econômicas, jurídicas e democráticas mais básicas.

Não é possível aceitar que uma parte de nossa economia seja rica e pujante e a outra –onde se encontra a maioria de nossos empreendedores – lute para sobreviver, sem acesso a crédito, tecnologia ou assistência gerencial, esperando um mínimo de caridade governamental.

Não se justifica, sob nenhum ideal de salvação ou de justiça, que o mesmo regime que promete trabalho digno e remuneração justa a todos os cidadãos conviva, na realidade, com uma multidão de trabalhadores informais ou precarizados.

Não faz sentido que o nosso regime democrático, que garante o direito de voz e de voto a todos os cidadãos, impeça, histórica e sistematicamente, a realização das transformações necessárias para garantir os interesses mais básicos dessa cidadania brasileira.

Naturalizamos o mercado e a democracia, como se fossem feitos de regras eternas e imutáveis, fora do nosso controle e objetos de nossa adoração. Nós nos esquecemos de que somos nós que inventamos o mercado, que criamos as regras que definem a democracia, que construímos o direito.

Ao transformar as instituições sociais e jurídicas que definem nossa economia e política, criamos novas condições que permitirão a inclusão de milhões de brasileiros excluídos.  Transformando as instituições que definem nossa democracia, conseguiremos trazer para o debate temas frequentemente retirados da esfera pública, sob o falso pretexto da superioridade técnica, e garantiremos a tradução do interesse majoritário em realidade.

Método: o longo caminho

Nosso método é simples.  Por um lado, é nosso intuito conhecer e debater com as maiores lideranças do País as experiências bem sucedidas de transformação institucional.  Estamos interessados em idéias originais e criativas, em medidas que desafiem o bom senso, que alterem o status quo. Por outro, pretendemos discutir nossos pontos de vista com organizações sociais, com políticos e intelectuais. Qualquer mudança coletiva depende de engajamento coletivo.

Nosso grupo pretende refundar o civismo em nossa atitude intelectual e política. Queremos construir um pensamento próprio, ainda que imperfeito e provisório, que ouse se expor ao debate público. Buscamos adaptar as novas idéias a novas possibilidades de compreensão de nossa democracia e de nossa economia. Pretendemos entender, na teoria e na prática, as insuficiências das regras vigentes e, assim, acenar com novos rumos, novas instituições nacionais.

Em cada um de nós, coexistem duas características que nos identificam. Uma que nos ajusta ao mundo, e que trata de nos encaixar, de maneira rápida, quase inevitável, às leis da natureza. Outra que nos faz resistir a esse mundo, que nos leva a desobedecer, que nos motiva a violar os limites estabelecidos. A primeira característica faz de nós, animais movidos por necessidades, por interesses, por desejos. Mas é a segunda que nos identifica como seres humanos, sujeitos capazes de ir além, de superar nossos limites, de amar e de lutar por um futuro melhor.

MILITANTES

Edemilson Paraná é estudante de jornalismo na Universidade de Brasília. Natural de Umuarama, no Estado do Paraná, migrou para o planalto central em 2007 em busca de atividade intelectual e agitação política. Foi membro fundador da União dos Estudantes Independentes, conselheiro estudantil do Conselho Universitário (Consuni) da UnB e diretor de política estudantil do Centro Acadêmico de Comunicação Social (Cacom-UnB). Atualmente faz parte do Grupo de Pesquisa Narrativas Jornalísticas (Faculdade de Comunicação – UnB) , com pesquisa orientada pelo professor Luiz Gonzaga Motta. Foi assessor de imprensa do deputado federal Osmar Serraglio e repórter de política do UOL em Brasília. Esquerdista convicto, de mente e ouvidos bem abertos, é um intransigente defensor da tolerância e do bom senso. Pensar o país é seu grande objetivo, transformá-lo seu maior sonho.

João Telésforo Nóbrega de Medeiros Filho traz no sangue a indignação com as injustiças da sociedade e a firme crença humanista na possibilidade e necessidade de transformá-la. Aprendeu em casa e na rua que rebeldia e imaginação, inconformismo com a realidade e inquietação intelectual, são as armas vitais na construção coletiva de uma nova cultura política: democrática, plural, reflexiva e intransigente no combate a todas as formas de opressão, subcidadania, exclusão social. Estudante de Direito na Universidade de Brasília, é natural de Natal-RN,  tendo vivido também no sertão paraibano, São Paulo e Lyon (França). Participou da fundação da ONG Universitários Vão à Escola (UVE) e atuou na sua coordenação pedagógica, foi bolsista do Programa de Educação Tutorial em Relações Internacionais da UnB (PET-REL/UnB), coordenou o projeto de refundação da Revista dos Estudantes de Direito da UnB, participou do Centro Acadêmico de Direito da UnB (CADIR) como Diretor e Primeiro-Secretário e foi Coordenador de Formação Política e Movimentos Sociais do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães da UnB (Gestão Pra Fazer Diferente!). Membro-fundador do Grupo Brasil e Desenvolvimento, é também, atualmente, membro do Grupo de Pesquisa Sociedade, Tempo e Direito e do Grupo de Pesquisa Política e Direito.

Gustavo Moreira Capela, 23, natural do Rio de Janeiro – RJ, é estudante de Direito na Universidade de Brasília e angustiado por natureza. Morou fora do Brasil por 7 anos(em NY e nas Ilhas Cayman) e, ao voltar, fez-se brasileiro. Sempre teve como foco pensar mudanças sociais e, com isso em mente, foi sócio fundador e primeiro Presidente da OnG Universitários Vão à Escola (UVE). Atuou como professor nessa OnG por dois anos. Participou da Gestão Integração do Centro Acadêmico de Direito da Universidade de Brasília, compondo a Comissão Acadêmica e foi Presidente dessa instituição na Gestão CADir em Movimento. De vez em quando organiza festas de pequeno porte. Estagiou em dois escritórios de advocacia e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES). Foi pesquisador do PIC-UnB sob orientação do Professor Cristiano Paixão em 2006/2007 e sob orientação do Professor Menelick de Carvalho Netto em 2008/2009. Foi membro-fundador do Grupo Brasil e Desenvolvimento e é atualmente um de seus orgulhosos militantes. Compõe, ainda, o quadro dos Grupos de Estudo Sociedade, Tempo e Direito (STD), Direito e Comunicação, e do Grupo de Estudos Direito e Linguagem.

Laila Maia Galvão, 21 anos, é estudante de Direito da Universidade de Brasília desde 2006. Nascida em Brasília, passou a infância e grande parte da adolescência na capital, com breves interregnos, quando morou em Campinas – São Paulo, em Brighton – Inglaterra e em St. Catharines – Canadá. Seu grande interesse pelas ciências humanas a fez optar pelo curso de Direito. Já na Faculdade, foi bolsista do PIBEX no ano de 2007, ao coordenar o curso de capacitação em direitos humanos e gênero Promotoras Legais Populares. Estagiou no Ministério das Relações Exteriores e no Supremo Tribunal Federal. Atuou no Centro Acadêmico de Direito (CADir – UnB) por duas gestões. Fez parte da Gestão CADir em Movimento entre 2007-2008 e foi segunda-secretária da Gestão Novos Rumos em 2008-2009. Cabe citar também a marcante experiência de apresentar o programa Casa da Mãe Joana, na Rádio Laboratório de Comunicação Comunitária da UnB – Ralacoco. Sonhadora e otimista, acredita que os grandes ideais só são alcançados por meio de muito trabalho e dedicação. Atualmente é militante do Grupo Brasil e Desenvolvimento e espera poder contribuir para o processo de transformação da realidade social brasileira.

Raul Pietricovsky Cardoso é brasiliense, tem 23 anos e estuda Ciência Política na UnB. Militante social aguerrido desde sua época de escola, partiu de suas indignações com a educação brasileira para, na prática, transformar essa realidade. Além de ex-membro de grêmio estudantil, foi presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Brasília (UESB). Na universidade, sempre buscou transformar o movimento estudantil, para que este atuasse como um foco de convergência e de ação de vários movimentos sociais distintos. Nesse sentido, foi membro do Centro Acadêmico de Ciência Política (CAPOL), foi um dos fundadores da empresa júnior do curso (Strategos), estagiou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2006, fez parte do Grupo de Pesquisa sobre Novos Arranjos Participativos, Coordenado pela Professora Rebecca Abers, com a qual também fez um PIC-UnB (2007-2008). Atualmente, é Coordenador Geral do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães da UnB e um dos novos e empolgados membros do grupo político Brasil e Desenvolvimento.

Nascida e criada no cerrado do Planalto Central, Mayra Cotta Cardozo de Souza, 22 anos, entrou para o curso de Direito da Universidade de Brasília em 2005. Na época, tinha certas dúvidas a respeito de sua escolha, mas carregava uma vontade muito forte e uma certeza muito clara – a vontade de mudar o mundo e a certeza da importância de se estar na Universidade para buscar este objetivo. Na graduação, fez parte de duas gestões do Centro Acadêmico de Direito (Integração e CADir em Movimento) e coordena o Projeto de Extensão Maria da Penha, que, em conjunto com os alunos da Psicologia, atende mulheres em situação de violência doméstica. Estagiou na Procuradoria-Geral da República e num escritório de advocacia criminal. Também é pesquisadora do Grupo Candango de Criminologia e convicta abolicionista. Atualmente, desenvolve pesquisa, sob a orientação da Professora Ela Wiecko, sobre a incapacidade de o Estado-penal lidar com os conflitos interpessoais surgidos no contexto de gênero. Ainda desenvolve trabalho de pesquisa, sob orientação da Professora Janete Melasso, voltado à produção de um dicionário etimológico de verbetes jurídicos. E é uma pessoa de sorte, pois encontrou, no Brasil e Desenvolvimento, com quem compartilhar e buscar o sonho de transformação do país.

Danniel Gobbi, 23 anos, é flamenguista, graduado em Relações Internacionais pela UnB. Nasceu em Vitória e perdeu-se em Brasília. Nesse meio tempo, cruzou o Atlântico, comeu chucrute e fermentou a própria cerveja. Começou sua história de voluntariado em projetos sociais aos 14 anos e, desde então, nunca deixa passar a oportunidade de participar de uma nova iniciativa. Acredita que a mesma mão que muros levanta, pontes constrói. Seu maior desejo é poder contribuir para o fortalecimento das potencialidades humanas, motivo pelo qual encontrou no B&D uma paixão ainda maior e mais satisfatória do que seu clube de regatas. Participou da União dos Estudantes Independentes, do Centro Acadêmico de Relações Internacionais (Carel) e foi membro do Conselho de Administração da UnB. Nos dias livres, gosta de acampar, fazer trilha, explorar cachoeiras ou apenas dividir uma pizza com os amigos.

Rodrigo Santaella Gonçalves, 22 anos, natural de Marília-SP e desde criança morando em Fortaleza-CE, é estudante do oitavo semestre de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará. Paulista no Ceará e cearense em São Paulo , considera-se, para além de qualquer regionalismo, um brasileiro. Carregado por um sentimento de inquietação eterna, realizou um ano de estudos na Universidad Nacional de La Plata , Argentina, onde aguçou seus interesses pelo desenvolvimento não só do Brasil como de todos os países do Sul. Agora argentino no Brasil e “brasilero” na Argentina, passou a observar-se como, para além do nacionalismo, um latino-americano. Atualmente faz parte da Rede Universitária de Pesquisadores da América Latina – RUPAL e do Núcleo de Estudos Para América Latina e Caribe – NEPALC, realizando em ambos investigações sobre aspectos políticos, sociais e econômicos da realidade latino-americana, principalmente boliviana. Membro de duas gestões do Centro Acadêmico Batista Neto e militante independente no movimento estudantil da UFC tornou-se, a partir de alguns encontros e muitas conversas, membro do B&D, espaço no qual pretende pensar e construir coletivamente, além de atuar politicamente no sentido de transformar a realidade nacional, sem esquecer-se do mundo de problemas comuns que nos cerca, continental e mundialmente. Por considerar o ato de definir-se muito difícil, parafraseia o amazonense Thiago de Mello: considera-se simplesmente um homem para quem a primeira e desolada pessoa do singular está deixando de ser, para transformar-se na primeira e profunda pessoa do plural. Vislumbra no B&D, sem dúvidas, um dos meios para essa transformação.

Gabriel Santos Elias é um Mineiro que nasceu em Carajás, no Pará. Tem a família e coração de Mariana (MG) e estuda Ciência Política na UnB, em Brasília.  Ainda no primeiro semestre do curso entrou para o coletivo de estudantes Reconstruindo o Cotidiano, participou de duas gestões do Centro Acadêmico de Ciência Política e é da atual gestão do DCE Honestino Guimarães, da UnB. Estagiou na Agência Brasileira de Cooperação, no Ministério de Relações Exteriores do Brasil e fez parte do projeto de extensão Política na Escola. Atualmente é bolsista do Programa de Educação Tutorial em Ciência Política – PET/POL, onde faz pesquisa na área de movimentos sociais, partidos políticos e cidades, pratica extensão com o Projeto E eu com isso?, em São Sebastião, além de proporcionar atividades de ensino para a comunidade universitária. Movido pela inquietação e pela vontade de pensar os problemas do Brasil de forma mais ampla entrou para o Brasil & Desenvolvimento onde deseja contribuir para um novo projeto de transformação para o país.

Saionara é uma serelepe estudante de Direito da Universidade de Brasília. Já participou de grupos de pesquisa e extensão, é militante estudantil deste 2006, cantava na banda do Colégio, hoje dança ballet, pula, anda de patins, tricota, pinta, costura, cria, imagina, desenvolve, muda, luta, cai, levanta e adora sorvete. Não vai se aquetar enquanto o capital ditar as regras desse amor padrão e até que cada cidadão tenha condição para gerir a própria vida de forma justa, digna e livre. E não vai parar!

“I Am Sitting in a Room” de Alvin Lucier

In Poemas para mim mesmo on 22/10/2010 at 1:48

Alvin Lucier

In Poemas para mim mesmo on 22/10/2010 at 1:36

A noite caiu dentro da nuvem:
diga meu poema
sílaba a sílaba
como se ele fosse
absolutamente
necessário.

Não ouço mais
o som da minha própria voz
a cidade estraçalhou meus tímpanos
a cidade dispersou os meus amigos
e agora
algumas coisas ficarão para sempre
dentro

na metade de uma frase.

Apenas diga meu poema
e use a minha voz
como se ela fosse sua:
há coisas que eu sei dizer
e há coisas que se calam
e sobem
como vapor d´agua
sílaba a sílaba
uma chaleira para fazer chá
um copo de cólera
uma flor da manhã.

Diga tudo isso
bem devagar
como se fosse
absolutamente
necessário
e as palavras
vivas
mordessem sua boca
por dentro
como se fossem
formigas, vermes
como se estivessem
silaba a sílaba

pois dentro da nuvem
já anoiteceu

por hoje
chega.

Burguesinha cheirando mijo

In Poemas para mim mesmo on 16/10/2010 at 13:22

Os ideais e as contas para pagar,
há pessoas que se deslocam
para outras paragens
saem dos trilhos
e projetam
novos itinerários.

Burguesinha na favela,
burguesinho cheirando esgoto,
gente feia com falta de dentes,
pouca carne nos ossos e na geladeira,
conselhos, comunidades de bairro,
siglas partidárias e filas operárias.

Há gente que se projeta
para outras paragens
de casas sem jardim
labirintos mitológicos
atrás da rua da casa da Dona Jandira,
depois do boteco do Juracir,
novos espaços e
o Minotauro.

Há gente que se projeta,
para novas paragens
burguesinho na favela,
burguesinha cheirando mijo,
o que eles querem ver?
O que elas pensam
que podem fazer?

Algumas coisas
não se pode mudar,
algumas coisas
são como são,
algumas coisas
se projetam,
mas outras não.

Os ideais e as contas para pagar,
há pessoas que se deslocam
e ainda se arriscam,
depois de tudo,
a madeira, a lama,
a merda, o mijo,
nada disso ficará mais mudo.

Posso ouvi-los gritando em você,
meu ouvido colado em seu peito,
ecoando pelos espaços
abertos por dentro.

O crespúsculo do macho (o início…)

In Aforismas e fragmentos on 16/10/2010 at 11:33

Um homem também chora

poema de Gonzaguinha

Simplesmente suma

In Poemas para mim mesmo on 14/10/2010 at 23:58

São Paulo não faz questão de sua presença
e quando você morrer nada vai se mover,
talvez as lágrimas de um de seus filhos.

Nos feriados São Paulo vive esta indiferença
vazia de tantos fugitivos o mais rápido possível:
ganhar meu dinheiro e sumir, talvez para sempre.

Mas não desta vez, infelizmente. A cidade não faz
questão de seu afeto e pouco se importa com
a solidão destas milhares de almas sem corpo.

A cidade é fria, vazia de fugitivos, vá gastar seu
dinheiro em outro lugar, vá se divertir bem longe,
vá deitar sua cabeça no colo de alguém que entenda

tudo aquilo de que você precisa, uma praça verde
e quem sabe o mar, não se venda por tão pouco,
vá embora agora, o mais rápido possível, dinheiro

não é tudo na vida, São Paulo acolhe pessoas venais
como você e se nutre de sua dignidade: o que você
ainda faz por aqui? Violência, indiferença, fragmentação

caos, stress e poluição, São Paulo não se importa
com sua presença, quando você se for alguém alugará
o seu apartamento e talvez o seu filho chore, mas

não se venda por tão pouco
e simplesmente suma
ninguém vai sentir
a sua falta.

Eu te amo

In Poemas para mim mesmo on 14/10/2010 at 19:10

O meu entusiasmo
às vezes eu o encontro
quando lembro das noites
de vinte e poucos anos atrás,
depois de terminar
todas as tarefas,
o mundo ao redor
tão sólido
– sólidas árvores –
também as palavras
que pareciam nunca
ter que mudar,
meu pai e suas
sentenças peremptórias:
minha tarefa era dormir
e acordar vivo.

O meu entusiasmo
às vezes eu também o encontro
quando dou carne
a estes fantasmas, meu pai
plantado atrás das palavras,
com as árvores refletidas
em seu olhar
– no Parque do Ibirapuera –
pois eu ainda sou capaz de pisar
a mesma grama,
e sentir praticamente
o mesmo vento gelado
de chuva paulistana
sólida como uma rocha.

Tudo muda e as palavras
me confundem,
mas eu sei quem
se insinua
por detrás de cada
sílaba.

O meu entusiasmo
às vezes também eu o encontro
quando vejo você
com este ar
de muitos e muitos anos
às vezes, quando
o seu sorriso
se desmonta e
você pensa
mas coisas mais sérias
– os problemas mais difíceis –
e eu adivinho
palavras que você nunca irá dizer,
os pensamentos que eu
peremptoriamente
me desespero em dizer
para que tudo se resolva.

E você permite que eles e
elas pousem em sua boca,
que eles e elas encham
a sua cabeça
para que eu tenha a nítida
impressão
de que sou capaz
de te ajudar a viver,
o cheiro de seus cabelos,
os livros da Ruth Rocha,
querer estar tão perto,
o seu sorriso, de novo,
voltando de uma longa viagem
para dentro,
às vezes tão cansado,
às vezes tempo de chuva,
nunca ácido.

Tenho certeza,
eu já te conhecia
antes mesmo de você nascer
– eu te amo –
este amor que você fez
possível,
em tempos de chuva,
enchente e tormenta,
esta ilusão necessária,
que às vezes se realiza,
sem precisar de
palavra.