José Rodrigo Rodriguez

Archive for setembro \21\UTC 2010|Monthly archive page

Claro escuro

In Poemas para mim mesmo on 21/09/2010 at 16:43

Cego de luz:
a escuridão se faz
pelas duas vias.

Fico na terra,
pois prefiro assim
ficar plantando flores,
mas aquelas
que vivem de água,
de Sol e de merda,
pois o sonho está,
justamente,
em plantá-las:
e isso eu posso fazer.

Mas o que você me pede,
não tenho para dar:
procuro dentro em mim,
mas só um pouco
levantado do chão,
mas só um palmo,
pois é à terra
a quem eu pertenço,
à terra,
e seu olhar mineral
que reflete o horizonte
já nos primeiros passos.

Minhas lágrimas choram
os desejos da planta
que afirma ao tocá-las:
eu prefiro assim
os pés firmes
sem dobrar a
espinha,
água, merda e Sol
pelas duas vias.

A lapiseira-Graal (uma parábola)

In Aforismas e fragmentos on 20/09/2010 at 23:48

Semana passada eu comprei uma lapiseira. Esta tarefa, comprar uma lapiseira, não é fácil para mim. Eu vivo comprando lapiseiras, mas nunca estou satisfeito.

Uma lapiseira perfeita, em minha opinião, precisa ter várias características. Primeiro, ela precisa usar grafite grosso. Segundo, o grafite precisa avançar lentamente, movido por um mecanismo acionado quando se pressiona uma de suas extremidades. Terceiro: grafites grossos exigem que a lapiseira tenha apontadores de qualidade e, quarto e último, é importante que a lapiseira tenha uma borracha embutida.

É muito difícil encontrar uma lapiseira que reúna todos estes predicados. Lapiseiras grossas, normalmente, deixam o grafite solto. É preciso arrumar sua altura com os dedos, ação quase sempre desajeitada e que os deixa sujos, borrando o papel. Além disso, quando apertamos sua extremidade para ajeitar o grafite, corremos o risco de deixá-lo cair, de quebrá-lo ou de simplesmente perdê-lo, inadvertidamente.

Estas mesmas lapiseiras, normalmente, possuem apontador, mas não borracha, ou possuem borracha e não apontador. Parece impossível conseguir reunir os dois acessórios na mesma tampinha, mesmo levando-se em conta seu tamanho avantajado. Trata-se, aparentemente, de um grande desafio para os designers.

Tal fato implica na necessidade de carregar, muitas vezes no bolso da camisa ou da calça, os dois artefatos, lapiseira e apontador ou lapiseira e borracha (conforme o caso), o que me aborrece muito por criar um volume deselegante. Depositados ambos em um estojo, no bolso interno ou externo de uma mala, mochila ou pasta, enfrento o mesmo problema: um excesso de volume que torna penoso trasportá-los.

Esta duplicação de artefatos é indesejável por outras razões. Por exemplo, quando em uso, não é fácil manter o papel aprumado na mesa enquanto é necessário passar, incessantemente, a lapiseira e a borracha de uma das mãos para a outra. Sou destro e, portanto, não consigo apagar nada com a mão esquerda. Resultado: a operação de escrever passa a consumir muito de meu tempo e de minha paciência, além de ameaçar a precisão da escrita em um papel desalinhado ou amassado pela inabilidade no apagar.

A lapiseira que eu comprei semana passada padece exatamente do problema sobre o qual estou discorrendo: falta-lhe a borracha. Ela não é, portanto, perfeita; é, por assim dizer, quase perfeita. Ela me bastará, eu sei, por algum tempo. Por alguns meses conseguirei escrever sem sentir tanto incômodo. Mas é evidente que sua compra não encerrou minhas buscas. Ainda procuro uma lapiseira melhor, a lapiseira perfeita.

Alguns amigos, recentemente, chegaram a sugerir que eu estaria dedicando tempo demais a este problema. Talvez seja mais adequado, eles disseram, procurar ajuda psicológica para que eu seja capaz de lidar melhor com a “síndrome da lapiseira-perfeita” que me acomete: foi assim eles se referiram a esta minha suposta doença. Sugeriram também, e sem nenhuma ironia, que eu passasse a escrever a caneta ou a lápis e deixasse esta questão de lado de uma vez por todas.

Sou obrigado a confessar, muito a contragosto, ter ficado chateado com tais comentários. Sei que eles se preocupam comigo, mas é difícil aceitar sem irritação este grau de insensibilidade para comigo. Atribuo tal dureza de sentimentos à incapacidade de meus amigos de realmente se colocarem em meu lugar.

É verdade que, nos últimos cinco anos de busca, devo ter comprado por volta de 90 lapiseiras diferentes. Sem nunca ficar completamente satisfeito, tenho me desfeito delas todas, dando-as de presente na primeira oportunidade ou simplesmente permitindo que elas sumam em reuniões, palestras ou viagens, deliberadamente esquecidas sobre bancos, mesas ou dentro de quartos de hotel.

É verdade também que tenho entrado e saído de praticamente todas as papelarias de São Paulo, Rio de Janeiro, Berlim e outras cidades em busca de minha lapiseira perfeita. Vasculhei cada estante, mesmo as mais recônditas, e esquadrinhei todos os sites de vendas de artefatos para escrita de que se tem notícia no mundo civilizado (e para além dele…).

Mas será que eles não vêm que eu também sofro por nunca ter encontrado a caneta perfeita? E que me poupo desse sentimento para ter um pouco de paz? Se eu pudesse trocar de instrumento de escrita, trocaria amanhã mesmo. Caneta, que assim seja. Mas, (será que eles não podem ver?) isso me traria ainda mais problemas…

Pois, vamos supor que, num lance de sorte, mal inciadas as buscas, eu encontrasse a caneta perfeita. Veja, meus problemas mal estariam começando… Seroa necessário combiná-la com a lapiseira perfeita, esta, que ainda não encontrei! Haveria o problema de formar um par, ou seja, mais buscas desenfreadas, mais aflições…

E o que dizer do lápis perfeito? Só de pensar na busca por um lápis perfeito, quase entro em desespero. Afinal, de novo, na eventualidade de eu encontrar o tal lápis, eu teria que usá-lo, em primeiro lugar, para ter certeza de que ele é, de fato, o lápis perfeito. Ora, depois da primeira utilização, eu não teria vontade de parar, pois, afinal, eu estaria diante do lápis perfeito!

Mas este ato, veja, levaria à necessidade de apontá-lo várias vezes ao dia, o que iria resultar (tragédia!), em seu rápido desaparecimento! Anos e anos de busca encerrados pelo sumiço do objeto de meu desejo, esgotado pelo uso, destruído por mim mesmo!

Diante deste fato, atormentado pela lembrança de tantas linhas e tantas palavras riscadas com ele, e à perfeição, eu me veria impulsionado a novas buscas, a buscas sempre renovadas, cada vez que o lápis voltasse a desaparecer, num moto-contínuo maldito, que poderia vir a tomar toda a minha vida, todo o meu tempo, todas as minhas forças!

Não quero nem pensar nisso! Prefiro me concentrar na lapiseira, ao menos por enquanto…

Pois tenho certeza, ao contrário do que dizem meus amigos, que não busco o impossível. Não faço questão, veja, nem de cor, nem de design, nem do amortecedor em sua ponta, que tanto me agradaria. Sei que a lapiseira perfeita, modesta como eu a descrevi, está ali, em algum lugar, esperando por mim, pronta para ser encontrada.

E sei que vou encontrá-la, custe o que custar. Não me importa quanto tempo vai levar; quanto dinheiro eu vou gastar ou a distância que irei percorrer. Essa lapiseira, que é como meu Santo Graal.

Um poema para os candidatos a Presidente do Brasil: “A fórmula mágica”

In Poemas para... on 19/09/2010 at 19:51

Como é que alguém se vende
por cinco ou dez ou trinta por cento
de um ou dez ou cem milhões?
Mas tanto faz, os fins justificam
os meios e ninguém enriqueceu
ou todo mundo ao mesmo tempo.

Há lugar para a ética, algum princípio
que envolva evitar receber dinheiro
sem trabalho e sem fundamento?
Mas pensando bem, é preciso ganhar
a eleição para evitar que os verdadeiros
ladrões tomem o poder: somos os melhores.

Eu me sinto muito ingênuo quando
leio notícias com nomes de amigos
e converso com todos aqueles que criticam
o sistema brasileiro de financiamento
de campanhas: todos sabem o que fazer,
mas não podem deixar de jogar o jogo.

Jogar o jogo, até que as regras mudem,
até lá, um pouquinho para mim, outro
para o caixa dois, vistas grossas daqui
e de lá, até as vésperas da eleição,
denuncismo e indignação ética, contas
no exterior e pagamentos indiretos.

A ética está em não exagerar, em não
tomar para si mais do que é razoável
ou mesmo nada, afinal jogar o jogo é
evitar que os verdadeiros ladrões
assaltem o país: não se deve enriquecer
individualmente, nós somos os melhores.

Em última análise, tudo é feito para o
povo, é assim se evita que os verdadeiros
ladrões cheguem ao poder, tudo para
o povo, jogar o jogo sujo para o povo:
a ética está justamente aí, comedimento
e clareza dos objetivos políticos de base.

Em me sinto muito ingênuo quando
penso “E se ninguém jogasse o jogo?”,
como uma criança, penso: “E se ninguém
pensasse mais assim?”, um menino idiota:
“E se pudesse ser diferente?”, um verdadeiro
imbecil: “Não se meta nunca nisso…”.

Quem se vende e faz o trabalho sujo,
tem a gratidão eterna daqueles que
podem se dar ao luxo de dizer que
não sabiam de nada. Aqueles que
fazem o que precisa ser feito para
evitar que os verdadeiros ladrões

tomem o poder: nossos heróis,
cuja história precisa ser contada
e é preciso ajudá-los a não ter mais
que jogar o jogo. O que fazer para criar
novas regras, sem moralismo, eu
gostaria de saber qual pode ser

esta fórmula mágica.

Variação sobre “We are all bourgeois now”, MacCarty

In Poemas para mim mesmo on 19/09/2010 at 5:01


No fundo do porão
guardado em uma caixa
com palha e isopor
trancada no armário
fechado a sete chaves,
atrás do alçapão,
da porta e fechaduras,
no fundo da garganta,
não se houve grito
algum.

Debaixo das cobertas,
guardado num suspiro,
suspenso pelo sono
oculto atrás dos óculos
as mãos: fechada boca
tensa
amordaçada,
as cordas pelos braços,
e mãos, pernas e pés:
não se ouve grito
algum

não se houve
palavra
não se ouve
um pio
tudo está
calmo
todos agora
concordam.

Ausente

In Poemas para mim mesmo on 19/09/2010 at 1:44

Veja as mulheres na janela
conversando e bebendo água
em copos vermelho sangue,
vestidas de algodão e linho,
veja o cachorro deitado a seus pés
comendo um osso ou roendo um
pedaço de madeira, branco como
minha pele, neste Sol de meio dia.

Veja o carro passando devagar
as crianças nas janelas, bexigas
coloridas, saindo por todos os lados,
floresta de braços, de mãos e de pés,
ouça a música que escapa pelo vão
entre o vidro e a lataria, a música
que as crianças ouvem quando estão
tão alegres assim, música de festa.

Veja o café sobre a mesa da sala,
pão, manteiga, queijo e presunto,
veja esta laranja, esta banana, esta
maçã que seguro diante dos seus olhos
veja como eu coloco açúcar na xícara
e como a colher mergulha no leite
atravessando a espuma branca, veja
como eu abro a tampa do pote requeijão.

Veja como eu pego sua mão e levo
ao prato, como levanto suas pernas
para aprumar seu tronco na cadeira,
veja como coloco alguns bocados de
torta e de frutas em sua boca, veja
a manhã renascida, a música que canto
em seus ouvidos, veja como eu conto
a você, tudo o que está acontecendo.

Você não precisa dizer mais nada
vamos combinar, fica assim, seu
silêncio guardado atrás de tantas
portas, eu não quero perturbar
nunca mais o seu sono, vamos
combinar, fica assim, eu faço nascer
o seu dia e você, você sequer se mova
porque eu, eu serei seus olhos
eu serei a sua carne
eu serei sua boca
eu serei sua vida.

Elétrico

In Poemas para mim mesmo on 16/09/2010 at 4:22

O silêncio está sobre a mesa
depois de passar de mão em mão,
como uma carta capaz de revelar
o que há do outro lado: ele é de ouro.

O silêncio está dentro do vaso
e como as flores mais comuns
será trocado por outro, tão logo
caia morto: mais alguns dias.

O silêncio sempre faz anos,
mas ainda é velho como o Sol,
o silêncio tem ombros tensos
e como um cão: sempre alerta.

O silêncio é cinza fresca,
final do som num suspiro
o silêncio é minucioso
e trabalha como formiga:

ele é elétrico.

Segundo round da Grande batalha de trocadilhos infames com nomes de filósofos!

In Aforismas e fragmentos on 15/09/2010 at 17:19

Tiago Soares: eu curto mesmo é umas música popper

Daniel Benevides: o Marx…quando queeebra na praia…

Jose Rodrigo Rodriguez: Habermas a janela, amor, Habermas a janela…

Jose Rodrigo Rodriguez: Se você disser Benjamin. eu beijo…

Jose Rodrigo Rodriguez: Gripado? Sou médico, eu te Epicuro

Daniel Benevides: Nietzsche!!!! Saúde

Daniel Benevides: Essa bolsa tá te incomodando? Kirkegaard pra você?

Daniel Benevides: Platããooo, sentido!!!!

Jose Rodrigo Rodriguez: Ontem fui para casa em um ônibus Lyotard, puto Derrida…

Jose Rodrigo Rodriguez: O Guga já foi o tenista com o melhor Sartre do Brasil

Jose Rodrigo Rodriguez: O cartunista Laerte não é Simone, mas gosta de vestir Beauvoir…

Tiago Soares: mais feio que barthes na mãe por causa de mistura

Jose Rodrigo Rodriguez: ‎- Mamãe, acho que Fichte xixi nas calças…
– Schelling, filho! Vamos trocar!

Jose Rodrigo Rodriguez: Vamos mudar um pouco de assunto, já cansei deste troço! O que vocês andam Lenin ultimamente?

Tiago Soares: então ele pegou o telefone e passou um trotsky

Maria Duda: ou derridá ou desce

Jose Rodrigo Rodriguez: Ando estudando tanto que quando levanto, meu joelho Stalin…

Jose Rodrigo Rodriguez: ‎… não posso andar de cavalo, nem quando ele apenas Trotsky… Cavalgar nem pensar!

Maria Duda: nietzsche maria!

Jose Rodrigo Rodriguez: Certo ou Heráclito, eu procuro sempre dizer o que eu penso…

Daniel Benevides: gang de motoqueiros comunistas: Hells Engels!

Jose Rodrigo Rodriguez: … mesmo se Éfeso algumas pessoas por causa disso…

Daniel Benevides: tomei um shoppenhauers e to meio althusser

Jose Rodrigo Rodriguez: Afinal, antes Tales do que nunca…

Daniel Benevides: Stalin não vale! Lenin é discutivel

Jose Rodrigo Rodriguez: Tomou muitos shoppenhauers? Andou de Balibar a noite toda?

Jose Rodrigo Rodriguez: Eu tambem bebi ontem, cerveja gelada. E acordei meio Rorty.

Jose Rodrigo Rodriguez: O pior, Putnam a chave em cima do balcão e esqueci no bar!

Jose Rodrigo Rodriguez: Eu devia ter parado de beber Arantes. As duas da manhã já era Olgária de parar.

Jose Rodrigo Rodriguez: Mas se disserem que eu fiz isso, eu Negri!

Jose Rodrigo Rodriguez: Agamben de começar em um emprego novo… Não posso Marcuse no ponto!

Grande batalha de trocadilhos infames com nomes de filósofos!

In Aforismas e fragmentos on 15/09/2010 at 11:28

Data: dia 14 de Setembro de 2010.
Local: Facebook

Veja abaixo o texto na ítegra!

Daniel Benevides: Quanto mais Kant melhor

Leandro Sarmatz: José Lins do Hegel.

Daniel Benevides: hahaha

Daniel Benevides: quem Kant os males espant

Jose Rodrigo Rodriguez: Há quem sinta (ou aprecie) coceira (ou carinho…) no Hegel.

Daniel Benevides: HAHAHAHHA, calor no Hegel!

Daniel Benevides: vamos botar uma Pascal nesse assunto

Jose Rodrigo Rodriguez: Pascal no Hegel dos outros é refresco…

Daniel Benevides: carai, danou-se, o negócio tá sério. Garçon, salta um schopenhauer aí! bem gelado!

Daniel Benevides: e depois me vê um Platão de bife com fritas

Jose Rodrigo Rodriguez: Sou filósofo! Essa discussão faz parte de minha especialidade. Na versão GLS: “Quando o Hegel fica Kant por que alguém Foucault, um Pascal pode ser refrescante.”

Andre Caramuru Aubert Daniel: pára com essa porra! O Paulo Francis já dizia que o trocadilho é a mais rasteira forma de humor. Uspiano, então… daqui a pouco vocês estão fazendo aquelas piadas tipo Rosa Luxemburgo chegou para o filho, Wanderely, e disse… Não sei como continuar, mas dava uma boa piada, não é?

Jose Rodrigo Rodriguez: Rosa tentou fazer a Revolução na Alemanha, mas deu com os Luxemburgos n’água.

Daniel Benevides: hahahahahahaha, tá foda, não vou nem continuar, deixarei pros especialistas. andré, pô, foi mal, mas é doença!

Andre Caramuru Aubert: Porra, eu falei pra parar! essas coisas só se pode falar tomando cerveja, e depois da sexta! Mas, pra ficar no tema, e homenagear Augusto de Campos, poderíamos escrever: Lixo/Luxo/Luxemburgo

Jose Rodrigo Rodriguez: Ok, mas manda para esse seu Paulo aí este limerique do Glauco Mattoso (Você viu “Nosso Lar”? Será que no espiritismo as mensagens só vem de lá ou dá para enviar também?):

“político gordo
faz acordo dos dois lados:
um pra cada lordo”

Daniel Benevides: combinado! cerveja!

Andre Caramuru Aubert: combinado!

Daniel Benevides: Zé Rodrix, eu devia ter desistido da contenda trocadilhistica dizendo, tudo bem, vc venceu, eu aHegel.

Jose Rodrigo Rodriguez: Rá, rá, rá!!!! Eu sei, Daniel, é difícil parar… Como vc bem disse, é mais forte do que nozes… Mas não Kant vitória ainda!

Daniel Benevides: iiii, o negócio tá ficando Russell….

Jose Rodrigo Rodriguez: Preciso sair. Vou tomar o Hume de casa.

Jose Rodrigo Rodriguez: Espero que ninguém Hobbes minha carteira no caminho. Tá Locke!

Daniel Benevides: Puta merda, o cara é incansável! Vou pegar minha Adam Smith & Wesson e acabar de vez com essa história!

Daniel Benevides: ‎..que eu já tô ficando perdido, sem Hume…

Daniel Benevides: não tinha visto o vou tomar o Hume de casa…tá uns 15 a 3 pra vc

Jose Rodrigo Rodriguez: Abraço! Tenho que terminar Montesquieu para uma revista acadêmica até amanhã!

Jose Rodrigo Rodriguez: Assunto bem menos interessante do que este! E veja que há pessoas que brigam Parmênides do que isso!

Maria Duda: e aí, deleuze?

Daniel Benevides: beleza, eu ia mesmo dar uma Voltaire…abração

Daniel Benevides: Deleuze. To cumas dificuldades, mas vou persistir, afinal água mole em pedra dura, tanto Barthes até que fura

Variações sobre “Have you forgotten”, Red House Painters

In Poemas para mim mesmo on 13/09/2010 at 1:43

Poema de Diogo Antonio Rodriguez

não durma
ainda não é hora
espere as palavras saírem
espera o café amanhecer;
não me espere

assista a seu programa favorito
grave as melhores partes
repita a fita
entorte a fita
e volte à rua Santa Ifigênia
procurando conserto;
não vou junto

conte-me com calma porque odeia
aquele dia estranho da infância
quando viu alguma coisa
que traz lembranças de hoje em dia
coisas que fazem suas mãos estarem longes
[das minhas
que trancam seus cadernos nas gavetas;
não conte comigo

acredite
estou dormindo
não ouvi você chegar
não senti a brisa dos seus olhos
sonhava com aquelas noites
que te lembram da infância
que trancam suas mãos
em vitrolas quebradas
e dão sono nas datas especiais

fico esperando você dormir
vou sozinho à Avenida Paulista
passo retos pelos cinemas,
pelos cafés,
pelos restaurantes
pelos mendigos,
pelos skatistas,
pelos panfletos e os pequenos santos;

espero você acordar
e ando pensando nas fitas
e gravo o som dos ônibus
para depois editar
um programa favorito de alguém que me manda cartas
para depois pensar em ir à Santa Ifigênia
e sentir vergonha da sua infância
e ter menos saudades da minha

Super8 Podcast: Músicas profundas de artistas superficiais

In Rock-poesia-politica on 12/09/2010 at 13:30

Meu irmão e eu fizemos um podcast temático. O primeiro episódio é sobre “músicas profundas de artistas superficiais” incluindo George Michael, Lulu Santos, Madonna, Beyoncé, Green Day, Hole, Nada Surf e Maná. Vejam abaixo!