José Rodrigo Rodriguez

Corpo Santo

In Poemas para mim mesmo on 30/08/2010 at 16:33

Cheiro cabelos
e nem palavras,
dente na nuca,
sopro divino,
torpor salgado,
que não anima,
e subtrai a alma:
completamente.

Já era hora:
eu viro bicho
ou animal que só
avança e caça, pul
sa e não se navega,
só como se sabe e
sempre se reage so
bre: sobreviver.

Olho vidrado,
corpo reteso,
a sua carne em
minha boca, gos
to, nem alma re
pleta, sopro que
se lembra e faz
em parte lenta

mente: como um
arrepio, corre, e se
represa, ao som des
ta sentença posta
pela carne tensa,
deslizando a língua
glande de animal,
ora sem sangue e ar,

ora sem alma e cor
po, que nem se aquie
ta e que também só
corpo, que vaga e só
se pulsa, espera e rega
o ventre, morde seiva so
pro, alma como em carne
viva, a carne espessa so

bre a língua, que nem nunca
nunca, nunca se aquieta, en
tre a mata densa, extrai água
cheirosa, som meio das per
nas, separadas como fossem
poço ou rio ou fonte desta
mesma água, tácita quieta,
mostra nesta boca, sempre ela,

como fosse que vertente, tanta
mesma, sobre a boca gota nunca
nunca, nunca fica seca, nunca vai
lambendo lábios e rangendo den
tes, carne alma que se perde vaga
em nós dois, sem alma, em nós dois,
sem corpo, inverso, em corpo de anti

santo, tanto que se agita a veste
que se rasga inteira, quando apenas
sugo esta seiva como estivesse te
bebendo, como estivesse te comen
do, como o animal que penso e sou,
o animal que penso e sou, o animal
que penso e sou, o animal que morde
ainda a sua boca tensa.

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