José Rodrigo Rodriguez

O outro lado

In Poemas para mim mesmo on 01/05/2010 at 1:54

Todos os lados e todas as
faces desta mesma espera
que nunca se cumpre, esta
palavra e os seus sinônimos,
os instantes e seus sinônimos,
o tempo de plantar que se repete
em folhas e folhas e folhas e folhas.

Eu deveria lembrar de você
também devia saber como
você é e foi e será, deveria
ainda cantar tantas notas
a plenos pulmões como
faria um bardo de tanto tempo,
uma voz de tanto tempo re
petida, as faces, as vozes, as
contas,

mas chega de tantos avessos.

Há balcões e há sinônimos, pro
liferação de metáforas, mas esta
vou guardar inaudita, vou guardar
não dita, neste altar que farei para
o mesmo santo, o mesmo deus que
zelava pela sucessão dos dias sem
deixar que o corpo cansado dormisse
para sempre nos fios e eletrodos e bipes
e bipes e bipes e bombas e agulhas e sucção
da pele dos mamilos,

mas alguém vai morrer, mas não vai ser agora,
alguém vai destroçar esses ossos, mas apenas um dia,
alguém vai sus
pirar,
mas na mesma hora,
alguém que já não está,
mas que já foi dito.

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  1. Você tem umas frases de efeito boas, e eu aqui, perdendo meu tempo, perdendo meu tempo no meio da minha longa jornada escravizada remunerada.

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