José Rodrigo Rodriguez

Archive for maio \31\UTC 2010|Monthly archive page

Tempo perdido

In Poemas para mim mesmo on 31/05/2010 at 1:23

Eu perco meu tempo comprando vestidos
e escolhendo a cor de sapato e cachecol,
eu perco meu tempo saudando demiurgos
e fazendo reverências para ausentes e
presentes, eu perco meu tempo discutindo
os rumos que o mundo e a poesia deverão
tomar, eu perco meu tempo com poses de
poeta em seminários lotados nas mesas de bar,
eu perco meu tempo com frases de efeito e
rindo da afetação dos lindos e lindas intelectuais
cheirosos da vila madalena, eu perco meu tempo
trafegando pelo centro em porões alternativos
meticulosamente sujos, eu perco meu tempo
com a decadência estudada das casas noturnas
da barra funda e da lapa, eu perco meu tempo
sem que ninguém discuta uma idéia digna
de algum verso visceral, eu perco meu
tempo com a paixão estudada, eu perco
meu tempo em falar ou calar, eu perco
todo o meu tempo, eu perco tempo,
me perco nesse tempo, eu perco.

Prisão da memória

In Poemas para mim mesmo on 29/05/2010 at 15:45

Há coisas que eu já sei demais:
viver prevendo os eclipses,
antecipando as tragédias,
as alegrias, as promessas,
as recompensas.

Eu sei demais, sem surpresas,
você deixou de me amar
espelho que não reflete
o mesmo olhar colibri
que pousa em meus olhos
veloz, depois no relógio,
trinco, chave, telefone,
ainda durante o jantar.

Eu sei demais, eu já sabia,
eu sei prever terremotos,
sei o fim deste caminho,
sei de quantos passos levam
da cozinha até o banheiro,
da varanda até a sala de jantar,
sei quem vai rir, sem surpresas,
eu sei demais, memórias antecipadas.

Eu queria saber esquecer.

Iluminações 1

In Aforismas e fragmentos on 27/05/2010 at 11:13

Na padaria, tomando café da manhã. Suco de maçã azedo demais: um pouco de açúcar vai bem. Pacotinhos vários, todos brancos enfileirados. Um gosto estranho na boca…

Momento de dúvida, eu me pergunto: “Vesti a cueca limpa e pus a suja para lavar, ou foi o contrário?”. “Mistério…”, penso comigo, com um gosto salgado de maçã na boca…

Maresias

In Poemas para mim mesmo on 23/05/2010 at 15:02

A trezentos quilômetros de distância,
por email, a natureza envia-me suas leis
que narram, depois do expediente, todos os passos
dessa de dança de fome de sono de sexo e certeza
da decadência física.

Desempenho irregular, dores nas costas, pés inchados,
as evidências não mentem jamais, a natureza e suas leis,
sempre depois do expediente, narram a história já conhecida
dos espaços que não se pode vencer,
do tempo que não se pode adiar.

Morrer apenas depois do expediente, ficar doente,
sentir enjôo e falta de ar, alguma coisa morta no meio
das pernas, respondendo por email, a natureza,
a trezentos quilômetros de distância,
cospe seu mar de ondas claras
na areia sem gás carbônico.

Na praia conchas e galhos se espalham,
pedras sólidas e rochas em pó, caramujos,
copos de pinga e palitos de sorvete, meninos
e meninas sem pernas, dentro das minhas calças
nem vivos, nem mortos.

St Pauli FC na primeira divisão do campeonato alemão!

In Aforismas e fragmentos on 12/05/2010 at 17:18

No ano de seu centenário, o St Pauli FC subiu para a primeira divisão do campeonato alemão. Time “cult” da cidade de Hamburgo, foi o primeiro a banir qualquer menção a atividades nacionalistas da direita alemã de seu estádio, na contramão de boa parte dos times europeus, cujas torcidas eram dominadas por “holligans” fascistas.

Seu estádio está localizado no bairro boêmio de St Pauli, residência de estudantes, punks e de uma classe média intelectualizada, menos apegada aos valores do capitalismo e do mercado. Os símbolos do time, uma caveira com ossos cruzados, podem ser vistos em praticamente todos os bares e restaurantes da região. Nos muros e postes, pixações de “USP” (Ultra-St Pauli”) também são comuns.

 

Tudo que há de melhor, de mais interessante, de mais divertido em Hamburgo e na Alemanha está ligado, torce ou tem alguma coisa a ver com o St Pauli FC. É impossível para qualquer ser humano de esquerda que goste de futebol conhecer o time, visitar a cidade e não virar torcedor desde criancinha. Bastou meu amigo Andreas e minha amiga Renata, moradores da cidade, contarem a história do time que eu sucumbi já no segundo dia de viagem.

Procuro interessados em montar uma torcida brasileira do St Pauli FC para acompanhar o time na campanha vitoriosa pelo título de campeão alemão. Os requisitos que o time impõe para a formação de torcidas fora da Alemanha são (vi no site): 1) a adesão de pelo menos 5 membros; 2) manter contato com o time via email, pelo menos uma vez em cada dois anos.

Um time com um histórico desses, exigências dessa natureza, um símbolo de caveira, fãs punks, estudantes e intelectuais anti-racistas e anti-fascistas, um estádio ao lado do bairro mais divertido de Hamburgo (e, certamente, um dos mais divertidos da Alemanha), aparições nos filmes de Fatih Akin (preste atenção: o símbolo de caveira aparece várias vezes em “Soul Kitchen” por exemplo) e que entra em campo ao som de Hells Bells do AC/DC merece uma torcida brasileira, não acham?

Interessados, escrevam para mim: jrodrigorodriguez@gmail.com.

Eu estou falando sério.

ULTRA ST PAULI!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Uma semana de bondade

In Aforismas e fragmentos on 12/05/2010 at 12:16

Max Ernst, artista plástico do começo do século XX, compôs e publicou “Une semaine de bonté” em 1934. A obra é feita de 134 ilustrações modificadas por colagens, organizadas em sequência alusiva. Cada dia da semana corresponde a um elemento (no caso da gravura abaixo, a água) que determina a construção das figuras, sempre impressionantes e com um pé no macabro.

O trabalho é variado e complexo demais para se deixar explicar com facilidade. Para mim, fica a impressão de que o artista quer nos conectar com aquela sensação paranóica de que alguma coisa de ruim para acontecer a qualquer momento.

Algo se insinua por entre as rachaduras da manhã, algo nos espreita, prestes a atacar…E pode surgir por detrás do sol para apagar o azul do céu e tingir de vermelho e negro a calma do dia.

Perda da inocência, entre-guerras, consciência da maldade humana, ascensão do fascismo e conciência da morte: conforme os anos passam, a ingenuidade, esse é um lugar comum, vai desaparecendo.

Quem já sofreu uma dor de morte sabe muito bem disso; quem já perdeu seu pai ou sua mãe, quem já perdeu um amor ou um filho, quem já perdeu um país ou um rio (como Elizabeth Bishop em “One art”)… Quem já viveu uma guerra também: morremos um pouco no processo e perdemos, para sempre, a confiança na consistência e na continuidade do mundo.

O dia amanhece e nada, nada parece ser o mesmo.

Pessoas morrem ou nos abandonam, países são destruídos em meses, teorias seculares perdem a validade, a alma humana não é imortal, tudo que é sólido desmancha no ar.  

As percepções mais arraigadas podem se revelar enganosas, os conceitos mais consolidados podem falhar: hoje você está aqui, amanhã pode não estar.

E se as coisas são assim, porque não poderia surgir, agora, diante de meus olhos, um monstro com cabeça de hidra, urrando e cuspindo fogo? E tal monstro seria mais ou menos assutador do que a morte de um pai?

Monstros, aparições, fantasmas, ogros e toda sorte de seres fantásticos saltando por detrás dos armários, espreitando nosso sono e vigiando nossos movimentos à espera do momento certo para nos fazer perceber que tudo aquilo em que acreditamos é, na verdade, falho, falso e inconsistente.

Pois ao contrário do que disseram nossos pais, os monstros existem sim e, um dia desses, iremos acordar, com toda a certeza, para muitas manhãs de céu vermelho e nuvens negras.

O sangue das bombas e tiros e facas, o negro da morte na primeira guerra mundial, estes, Max Ernst viu com seus próprios olhos.

Eu e você, veremos tantos outros. E poderemos decidir, depois disso, se desejamos permanecer vivos, sãos e funcionais, cumprindo calmamente nossas oito (10, 12, 14, 20…) horas de escravidão remunerada.  

E se continuaremos a acreditar, com todo o fervor, que as semanas são mesmo feitas de bondade.

Ou feitas de pânico.

Cifra

In Poemas para mim mesmo on 04/05/2010 at 19:15

É melhor começar pelo meio,
no início o verbo reluta,
na largada a carne está fria,
de saída o preço se eleva
e é melhor barganhar
pelo ganho que se possa ter
sem matar ou roubar ou…

Os modernos e sua maquininha
para reduzir os custos da utopia
e reconciliar os homens com o
que haveria de mais chão, essa
tropa de insetos, os vencidos,
as etapas de um passado que se
produzisse na sombra de metáforas
ferocíssimas que se podem levar,
embrulhar, guardar, pesar, perscrutar,
lamber e comer, grão de areia e
florzinhas de abril, reconciliados
em minúsculos grãos, esse passo…

Alguns anos depois
foi possível falar claro.

Paga-se para ler poesia

In Aforismas e fragmentos on 03/05/2010 at 13:00

Os prêmios literários para poesia geralmente resultam na edição de livros que raramente são lidos. É um pouco constrangedor perguntar a seu amigo, editor ou poeta, mas acredite (eu tenho um livro de poemas editado…) poesia vende muito, mas muito pouco.

Meu editor de poesia, Valentim Facioli da Nankin, na ânsia de encontrar uma solução para o problema, sugeriu, algo ironicamente, que cada poeta novo fosse obrigado por lei a adquirir pelo menos dez livros de poetas novos por ano. “Se os poetas não lerem uns aos outros, quem vai lê-los?”, perguntou ele.

Não sei se concordo com esta abordagem sancionatória e legalista do problema, mas a questão é real: há pouco mercado para a poesia. Os prêmios, de certa forma, criam parte da demanda: ao pagar a editora com eles, os poetas compram livros que, provavelmente, ficariam parados no estoque. Mas, enfim, o problema parece ser mesmo este: como criar mais demanda.

Apenas editores abnegados editam poesia sem cobrar nada e, mesmo recebendo alguma coisa (normalmente uma parcela dos prêmios) este não é um bom negócio, a não ser, talvez, no que se refere ao prestígio da editora. Mas mesmo este ponto, acho, teria que ser objeto de discussão. Quantos livros de poemas, por exemplo, a Cia das Letras publica por ano? Eles acrescentam alguma coisa a seu prestígio?

Não sei responder, mas tenho uma sugestão pragmática para tentar aumentar a venda de livros de poesia. Claro, melhorar a educação e o ensino de literatura é crucial, afinal, a poesia exige, muitas vezes, uma familiaridade e um gosto pelo texto escrito que foge um pouco do trivial. Mas esta é uma solução de longo prazo e ligada a políticas públicas que fogem do meu controle. Minha proposta é mais imediata e, do ponto de vista individual, mais factível.

Proponho que as pessoas que se dispuserem a ler poesia sejam remuneradas para isso. Prêmios literários, editoras e mesmo os poetas individualmente, podem investir parte de seus recursos em ações deste tipo. Acredito ainda que um planejamento articulado de atividades nesse sentido possa contribuir não apenas para a difusão da poesia, mas também para o aumento da venda de livros.

As baixas vendas são explicadas, em parte, pelo fato de que as pessoas não se arriscam a ler poetas novos. Claro, dá mais prestígio citar Pessoa ou Drummond em uma conversa; nunca um estreante ou um poeta contemporâneo.

Também pega bem lamentar a decadência do mundo atual diante a grandeza dos mestres do passado. Ler e citar poetas novos, evidentemente, é ir contra esta lógica. Por isso, mesmo, entre comprar meu livro (suponhamos que ele seja um bom livro…) e o de Rilke, Rilke vai sempre sair vencedor.

Mas se as pessoas lessem poesia de fato poderiam vir a perceber que há hoje bons poemas e bons poetas, que podem servir perfeitamente bem como tema de uma conversa culta, como frase de agenda ou de twitter; mesmo como prova de erudição.

Além disso, para quem simplesmente gostar de poesia, estes poetas podem, até mesmo, chegar a emocionar, divertir e empolgar espíritos mais sensíveis. E, talvez, desfazer um pouco a impressão de que tudo que há de bom em literatura está no passado.

Por isso mesmo, os prêmios literários, as editoras, os distribuidores e mesmo os poetas poderiam destinar parte de seus recursos para que os livros editados fossem efetivamente lidos.

Por exemplo, as livrarias poderiam instalar cabines ou ambientes de leitura com sofás, pufes, água, cerveja, refrigerantes e salgados, destinados a receber o público interessado em ler poesia. Haveria letreiros com a frase “Paga-se para ler poesia” ou “Leia poesia aqui! Paga-se bem”.  Tais ambientes poderiam ser instalados nas livrarias ou mesmo na rua, do lado de fora dos pontos de venda.

Na entrada, a pessoa receberia um livro com o compromisso de lê-lo, por exemplo, durante quinze minutos, mediante o pagamento de cinco, dez ou vinte reais; ou um valor semelhante àquele que livrarias e distribuidoras exigem para comercializar o livro.

Ao final deste tempo, o atendente perguntaria para o cliente se ele gostou ou não do que leu. Em caso de resposta negativa, a pessoa receberia seu dinheiro sem mais perguntas. Em caso de resposta positiva, ela receberia um desconto promocional para adquirir o livro, que levaria em conta o que já foi pago.

Nesta modalidade, ao invés de conceder, indiscriminadamente, um desconto promocional na venda, autor, editora e distribuidores arriscariam parte de seus lucros para tentar fazer com que os leitores efetivamente se interessassem pelo produto. No caso dos prêmios literários, seria possível reservar uma quantia fixa para esta ação, com a respectiva diminuição no valor pago ao poeta pranteado.

Outra possibilidade seria simplesmente pagar para ler sem sugerir ou exigir a compra, sem utilizar os descontos, ou seja, fazer um investimento a fundo perdido. Uma ação como esta poderia contar com patrocínio de empresas, por exemplo, marcas de cerveja, refrigerante, água, salgadinhos, etc, que poderiam distribuir seus produtos nos ambientes de leitura e, até mesmo, pedir para que os clientes respondessem questionários sobre o que foi consumido. Esta ação poderia fazer parte do lançamento de novas mercadorias do ramo alimentício

Outra ação que me parece interessante poderia ser desenvolvida individualmente pelos poetas. Um exemplo: outro dia perguntei despretensiosamente a um amigo se ele havia lido meu livro. Uma amiga, que nos acompanhava no jantar, me repreendeu fortemente, alegando que eu o havia constrangido, que coisas como esta não se perguntam, que isso não se faz etc.

Resultado, a seguir a lógica desta amiga, eu posso até conseguir editar meu livro, mas fico proibido de comentar com as pessoas próximas para não constrangê-las. Falar de um poema e perguntar sobre a leitura é, aparentemente, muito constrangedor: estaria eu forçando a barra?

Neste caso, sinceramente, não achei que fosse constranger ninguém, pois se tratava de um professor de filosofia que gosta de ler Pessoa e Drummond e que havia acabado de adquirir um exemplar do Fausto de Goethe. Imaginei que…. enfim…

Para evitar constrangimentos, vou adotar, daqui em diante, a seguinte estratégia: ao falar do meu livro e perguntar sobre a leitura vou esclarecer que estou disposto a oferecer um pagamento em troca disso. Ainda, posso  me oferecer para pagar o jantar caso o amigo ou amiga se disponha a ler alguns versos meus.

Desta forma, talvez minha amiga não se ofenda mais comigo e eu seja autorizado a contar para os outros que exerço as atividades de escrever poesia e empobrecer editores. Ainda, talvez eu possa pedir, sem medo de ser inconveniente, que as pessoas leiam meu livro e os livros que ainda irei editar.

Afinal, eu acredito, provavelmente contra todas as evidências, que escrevo razoavelmente bem. Acredito nos meus textos (e em mais nada praticamente…) e estou convencido de que a leitura efetiva pode mostrar sua força. Resta fazer as pessoas que se interessam por poesia lê-los: uma tarefa sempre muito difícil.

O perigo é vir a resposta; “Mas nem pagando, amigo!”. Bom, este é um risco que todo poeta tem que correr.

Nesse instante, uma imensa dúvida começa a me incomodar: será as pessoas que pressuponho estarem interessadas em poesia lêem poesia mesmo? Será que lêem ao menos os clássicos e os autores cool ou apenas dizem que lêem?

Meu Deus, se elas não lerem, provavelmente tudo está perdido e nenhuma das iniciativas que discuti acima teria a mais remota possibilidade de produzir algum resultado! E talvez por isso minha amiga tenha ficado brava, afinal, eu teria tocado em um assunto embaraçoso!

Nessa ordem de razões, para que as pessoas comprem seus livros, os poetas precisam virar “clássicos” rapidamente, quem sabe com a chancela dos professores universitários, ou se tornarem cool e descolados, por exemplo, em razão da promoção na imprensa e de campanhas de marketing.  Ler teria se tornado, portanto, algo secundário para a venda de livros. Num mundo assim poderia ainda haver leitores autônomos, capazes de formar seu próprio gosto? Mas…

Não, não! Isso não pode ser verdade!

O outro lado

In Poemas para mim mesmo on 01/05/2010 at 1:54

Todos os lados e todas as
faces desta mesma espera
que nunca se cumpre, esta
palavra e os seus sinônimos,
os instantes e seus sinônimos,
o tempo de plantar que se repete
em folhas e folhas e folhas e folhas.

Eu deveria lembrar de você
também devia saber como
você é e foi e será, deveria
ainda cantar tantas notas
a plenos pulmões como
faria um bardo de tanto tempo,
uma voz de tanto tempo re
petida, as faces, as vozes, as
contas,

mas chega de tantos avessos.

Há balcões e há sinônimos, pro
liferação de metáforas, mas esta
vou guardar inaudita, vou guardar
não dita, neste altar que farei para
o mesmo santo, o mesmo deus que
zelava pela sucessão dos dias sem
deixar que o corpo cansado dormisse
para sempre nos fios e eletrodos e bipes
e bipes e bipes e bombas e agulhas e sucção
da pele dos mamilos,

mas alguém vai morrer, mas não vai ser agora,
alguém vai destroçar esses ossos, mas apenas um dia,
alguém vai sus
pirar,
mas na mesma hora,
alguém que já não está,
mas que já foi dito.