José Rodrigo Rodriguez

Berlim (e Hamburgo) aos pedaços (XXI): Na loja do seu Metin

In Aforismas e fragmentos, Berlim aos pedaços on 09/02/2010 at 23:22

Entrei na loja do seu Metin a Orient Musikhaus (Adalbertstr, 87) para olhar as guitarras turcas penduradas em todo o teto. Aberta até bem tarde, coisa estranha, pensei. Mas ao perceber a imensa quantidade de CDs nas prateleiras, deixei qualquer escrúpulo de lado e resolvi fazer um pequeno estrago no meu orçamento.

Seu Metin me olhou com desconfiança, mas ela durou pouco. Apenas o tempo dele perceber a qualidade do meu alemão e eu esclarecer que era brasileiro. Pedi que ele me mostrasse os discos de que gostava e, a partir daí, foram mais de duas horas de música turca e conversa numa língua misturada; inglês, alemão e turco.

Aberto até tarde porque ele mora ali, atrás da loja. Pode arriscar ficar aberto: está apenas perdendo seu sono, já que sua família não mora com ele. Seu Metin está há anos sozinho na Alemanha.

Tomei água na sua pequena cozinha depois que ele perguntou meu nome e me convidou para ir atrás do balcão para me mostrar alguns clipes no youtube. Na parede, ao lado do caixa, invisível para seus clientes, a foto de seus sete filhos, enfileirados, três no lombo de um carneiro, com sua esposa do lado, numa paisagem árida, provavelmente na Turquia.

Ele aqui trabalhando, ela cuidando dos filhos. “Linda família, Metin!” , eu disse a ele, que sorriu, satisfeito.

Pão folha sobre a mesa de fórmica, casa de homem, cozinha desarrumada, pouca comida.

Seu Metin tem uns cinquenta anos, bigodão preto, extremamente simpático, conhecia bastante música brasileira. Citou nomes variados e ficou ainda mais contente quando eu comecei a torcer a cara para os discos de POP que ele me mostrava.

Foi buscar os discos mais tradicionais e cantores atuais que seguem na mesma linha, inclusive Rojda, uma cantora curda, linda de morrer. Vejam por vocês mesmos abaixo. Dela, comprei o álbum “Sebra Min”, entre diversos outros CDs da cantores variados.

Pedi dicas de lugares para ouvir música turca, restaurantes, lojas de roupas: não vou poder aproveitar muito. Meu tempo em Berlim agora é curto. Mas há muito mais coisas para se ver por aqui. Essa vida paralela que acontece no mesmo bairro em que eu vivo, provavelmente a dois passos de distância,  só agora começo a ver.

Seu Metin me deu de presente uma misbahae, em turco, tespih, feita de contas brancas. Um brinde pela compra grande. Como bom árabe, nãos sei se foi presente mesmo ou se ele incluiu no preço dos CDs. Mas valeu pela conversa e pelas dicas.

De tudo o que me vendeu, essa parece ser a favorita do seu Metin (“Eu amo, amo, amo!, disse ele, sem hesitação): Yildiz Tílbe cantando Metris:

Pelo jeito, seu Metin gosta de mulher bonita. Só espero que as cantoras turcas não sejam como as brasileiras, praticamente todas homossexuais. Assim não dá nem para sonhar direito.

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  1. Ele é turco ou árabe?

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