José Rodrigo Rodriguez

Arame farpado

In Poemas para mim mesmo on 29/10/2009 at 9:50

arame%20farpado

Seu amor desesperado não mudou sua rotina.
Sete e meia, oito e meia já na aula de pilates.

Seu amor desesperado não atrasou os relógios.
Cinco e quinze, seis e quinze, passeando o cachorro.

Seu amor desesperado não mexeu nenhum móvel.
Quatro metros, cinco metros, cama com criado-mudo.

Seu amor desesperado não mexeu nenhum músculo.
Omoplata, fisiocrata, não dizer uma palavra.

Seu amor desesperado não mudou sua rotina.
Ele vibra, soa e dói como se não fosse o óbvio.

Seu amor desesperado me mantém bem à distância.
E não me pergunta nada, feito arame-farpado.

Eu: intervalo.
Eu: absurdo.
Eu: entreato.
Eu: hiato.

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  1. Que lindo, Zé!
    Saudades.

  2. Sua poesia, meu amigo, está mais afiada do que nunca. Parabéns. Presto-lhe uma homenagem no “Ars Poetica”. Dê uma olhada:

    http://ericonogueira.blogspot.com/2009/10/verruga-de-jose-rodrigo.html

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