José Rodrigo Rodriguez

Série “Fora da lei”

In Aforismas e fragmentos, Fora da lei on 09/10/2009 at 13:06

Aviso prévio

Na tradição romântica o fragmento deveria permitir a intuição do todo. Tal pretensão será mantida nestes escritos, ao menos no que se refere a algum aspecto relevante do mundo em que vivemos. Dar conta do “todo”; do todo mesmo, hoje em dia, seria querer demais. O estado atual das ciências humanas e sociais diz que todo mundo pensa, até os povos e sujeitos os mais improváveis. Tal fato complica bastante qualquer pretensão de universalidade.

Mas seja como for, sobre as leis e sobre o Direito, no Brasil, meu assunto aqui, trata-se apenas de dizer o óbvio. Por isso mesmo, estes são fragmentos rebaixados: permitem uma intuição muito profunda sobre o que está diante de nossos narizes. E pretendem indicar uma falta: a falta consciência jurídica, consciência a qual, como todas as outras, em plena decadência no mundo ocidental.

Este fenômeno, com toda a certeza, é uma distinção típica de classe, embora eu não saiba exatamente de qual delas. Confesso estar um pouco confuso quanto a este ponto, por isso, deixo tal juízo para meus eventuais leitores e para os estudiosos do tema. A mim, atribuo apenas o ônus de ruminar a questão, utilizando-me dos dois estômagos que ainda me restam.

*          *        *

Van Gogh, "A Pair of shoes", 1885

Van Gogh, "A Pair of shoes", 1885

XXXLV. Paradoxo Zen

Mesmo que os políticos fossem sábios, não poderiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Os casos excepcionais aparecem no contraste com as leis. É preciso fazer este trabalho de adequação. Difícil imaginar um mundo que prescinda dele: tanta homogeneidade! Regular sem regras: um paradoxo Zen? Há problemas de que não vale a pena prescindir. 

XXXLVI. Caminhante…

 Regular é opressivo como usar sapatos, que têm lá sua utilidade.

 

XXXLVII. Um, Dois, Três da Silva Quatro.

 Gostaria que meus pais tivessem calado diante do Cartório de Registros de Nomes, mas de nada adiantaria. Aqueles burocratas malditos os teriam feito falar. O totalitarismo começa assim.

 

XXXLVIII. Infausto

 A opressão são formulários e prazos: tudo é instrumento. Vivemos num campo de concentração. Resistir é deixar as células em branco e esquecer as datas de entrega (mas não as de recebimento).

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  1. Caro:

    Excellentes, ces petites illuminations. À bientôt. E.

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